domingo, 13 de maio de 2012

*Estrutura Social - Radcliffe Brown


Com uma forte influência durkeimiana, Radclife-Brown, adota como objeto de estudo da antropologia social a Estrutura Social, como teoria fundamental  para se entender o funcionamento da sociedade, utilizando-se de métodos semelhantes aos das ciências físicas e biológicas para compreender  as relações de associações entre organismos individuais. Para Brown o conceito de Estrutura Social é o mais adequado para se compreender a realidade concreta, já que este conceito, segundo ele, nas observações diretas pode-se perceber que existe de fato uma correlação entre o conceito e a realidade, onde a estrutura social mostra-se ocupar de maneira consistente dos fenômenos sociais.
Brown define Estrutura social como, sendo a rede de relações complexa que cria laços entre os seres humanos. Essas relações se dão em um todo integrando, o qual ele chamou-o de organismo social, fazendo uma analogia ao organismo dos seres vivos, estudado nas ciências naturais. Em outras palavras, a estrutura social é estabelecida por uma série de relações sociais entre os indivíduos, em um todo integrado  de maneira organizada, com a finalidade de garantir a estabilidade e a sobrevivência  de um determinado grupo ou de uma determinada sociedade.
Ele considera dois aspectos relevantes para se caracterizar o termo “estrutura social”. São eles:
a.    As relações sociais de pessoa a pessoa, como por exemplo, a relação de parentesco, estudado pelo próprio Brown.
b.    A diferenciação de indivíduos e de classes  e seu papel social.
Na concepção browniana  nos estudos de estrutura social, a realidade concreta que se deve apreender é o conjunto de relações existente sincronicamente  que cria laços entre  os seres humanos, formando assim uma rede complexa de relacionamento integrado dentro de um organismo social.
            Para Brown, assim como nos seres vivos que há um dinamismo em sua estrutura orgânica, na vida social não é diferente. Ele afirma que na sociedade existem duas formas estruturais na realidade concreta: a estrutura real social, que pode sofrer transformações de ano para ano ou de dia para dia, quando, por exemplo, novas pessoas ou grupos de pessoas entram na sociedade por via de nascimento ou imigrações, ou saem por via de mortes ou emigrações, sendo esta o núcleo mais flexível e menos coeso da sociedade e que pode trazer maiores dificuldades ao antropólogo, no que se refere ao seu trabalho de campo. E por outro lado, a forma estrutural geral, cuja, transformações se dão de forma lenta, sendo esta o nível mais coeso e mais sólido da sociedade, e que pode gerar menos dificuldade ao antropólogo, no que se alude às observações dos fenômenos sociais, e consequentemente a coleta de dados.
Para Brown, a vida social e o funcionamento da estrutura, são fatores primordiais para a continuidade e a manutenção da estrutura social. Este funcionamento se daria por intermédio de atividades, as quais ele definiu como sendo, um processo realizado por um ou mais unidades sociais, com o objetivo de manter as condições necessárias de existência do organismo social. Está correlação, Brown denominou-a de “função”.

O método adotado por Brown na antropologia social, o método comparativo, empregado por Durkheim na sociologia. Segundo Brown, a comparação entre sociedades seria importante ao antropólogo, no sentido de conhecer as semelhanças e as diferenças entre elas.

Aurélio Cassiano.
Fonte Bibliográfica:



MALINOWSKI, Bronislaw  e Brown Radcliffe. História da  Antropologia. Editora Vozes,  2010 4 Ed, Petrópolis  RJ


BROWN, Radcliffe. Antropólogos e Antropologia. Adam Kuper (organizador), 1978. Rio de Janeiro, F, Alves.

BROWN, Radcliffe. Sobre o Conceito de “Função”  em Ciências Sociais, Estrutura Social. Extraído de : PIERSON, Donald. 1970, São Paulo.  Estudos de Organização Social – Tomo II: leituras de sociologia e antropologia social.

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